sábado, 16 de novembro de 2013

A HISTÓRIA DOS MEUS FRACASSOS

Ao longo da vida fiz muitas coisas para sobreviver que eu achava que me definiam: fui auxiliar administrativo de duas prefeituras, fui auxiliar de escritório de contabilidade, fui devorador de livros e gibis e de coisas escritas que nunca entendi bem, nem mesmo li até o fim, fui futebolista amador, fui estudante relapso, fui escrevedor de cartas sob encomenda, fui fazedor de planos que não foram executados, fui ghost writer, fui servidor do Fisco, fui contabilista, fui doente, paciente e impaciente, fui trabalhador braçal em lavouras, fui consultor de apuração do lucro real de atividades imobiliárias, fui fazedor de declarações do Imposto de Renda de Pessoas Físicas, fui assessor de muitos dirigentes que nunca me ouviram, fui militante indeciso do partido comunista, fui candidato derrotado a vereador, fui executivo por um tempo curtíssimo, o mais rápido fracasso que já reconheci, fui desenvolvedor de projetos que nunca deram resultados, fui religioso, fui socialista, pai, irmão, amigo, marido e namorado. Recentemente me identifiquei até com o pessoal da dança. Em tudo eu fracassei. Vi meus trabalhos, crenças e iniciativas falharem cabalmente. Aos cinquenta e seis anos me convenci de que eu era um fracasso total e resolvi viver desse amargo consolo de ser um fracassado. Fracassei nisso também, porque o mundo me empurra todo dia para fazer coisas. Então finalmente eu vi que havia algo diferente em mim em relação à maioria daqueles que me cercavam e que não tinham sucumbido completamente à depressão: todos acreditavam mais do que eu em alguma coisa. E descobri meu maior talento: mudar de ideias, abandonar crenças e começar de novo. Tornei-me então consultor de inovações e de pensamento estratégico, algo pomposo que justifica bem os honorários. Afinal, trata-se de constatar o óbvio: nada ensina mais a mudar do que o reconhecimento do fracasso. Desde então ganho a vida aconselhando as pessoas sobre o que fazer para reconhecer o que está errado, abandonar práticas e crenças superadas e abraçar a mudança. Tenho fracassado nisso, é claro, mas agora me sinto bem melhor. Sou um otimista incorrigível.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O CAUSO DA CAMISETA MOLHADA



Deu-se inesperadamente, como toda boa história se merece dar. A viagem fora inopinada, com escasso preparo. Vamos prá Bonito! De moto! De moto? Agora! Agora? Vamos, então! Achei que não ia, preguiçosa com novidades. Fui, fomos, com mais um motociclista patrono da ideia. Moto nova, viagem inaugural, ela insegura, medo de cair, baixa velocidade. Chegamos anoitecido. Hotel. Comida. Peixes. Canseira profunda, sono mais ainda. Outro dia cedo, domingão mole de intenções, mais novidades: vamos prá Bodoquena! Boca da Onça! Saímos logo do hotel, fomos comprar passaporte de aventura! Boca da Onça não tem mais! Saída é mais cedo, sete horas da manhã! Alternativa nessa rota é Nascente Azul, atração nova, essas coisas. Gostei mais. Boca da Onça, rapel, tudo me parecia perigoso ou chato.
Trinta quilômetros depois, chegamos numa baixada, às margens de um rio que se adivinhava pela alegria da mata, nascente por ali mesmo. Queria mais era peixe frito e cerveja. Mas tinha um lago, represa antiga das águas do rio, cujos excessos líquidos escorregam por cima de uma laje pendente e despenca em bela cachoeira improvisada num deque de madeira, diligentemente atapetada com telas de arame, para evitar escorregão. Todo mundo sabe a rima que dá esses escorregões em bicas d’água.
Ela viu a cachoeirinha, sentiu o chamado das águas, mas tinha esquecido o maiô, peça indispensável das casadas que se prezam. Andou, cheirou, mediu, assuntou o público. Ninguém à vista. Somente eu, mas eu não conto, não vejo. Ficou de calcinha preta e top branco, santista, santástica, mas jogou por cima um camisetão preto, meio corintiano, estraga festa dos outros, aventurou-se na água.
Pois a água conserta tudo, somos filhos dela, pejados dela. Com pouco os cabelos acalmaram, entregando-se ao ludo do banho. A camiseta, fina, enganosa, colou-se por todas as curvas do território líbido.
Compreendi então a batalha toda dos árabes e israelenses pelas colinas de Golã. Áridas, sim, mas o que não seriam com um pouco de água escorrendo pelo dorso delas! Revi o cheiro de mato da infância, as matinhas mal aparadas da roça abandonada, nas margens de um capão reservado, reserva legal de mato dedicado aos homens do futuro! Aquilo acelerou a minha viagem interior até os limites em que um átimo de memória atravessa o século.
Século, esse, lembrei, feito de desejos cercados por limites, fronteiras, decepções com as grandes esperanças universais, sangrentas guerras territoriais, a geografia da fome!
Pronto! Voltei ao meu reino de segurança, o normal e regular descrédito nas coisas reais!
E já a vejo torcendo a camiseta, distraída e molhada, sem pudor, sem promessas. Mas não me importa não, pois no território seguro e calmo da revolta com esse mundão Raimundo, a esperança é a última que broxa!



 Zeca Viana

domingo, 4 de novembro de 2012

Para conhecer

Minha colega de quarto do Outras Danças, a Raíssa Ralola (que é mineira mas mora no Rio) me deu essa dica desse blog de uma galera do Rio que divulga a dança que ainda não aparece nos jornais (e as que já aparecem também!). Achei interessante e aproveito para compartilhar com vocês. O link está aí...
http://ctrlaltdanca.com/

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Outras Danças

Saiu a programação da noite de abertura com os convidados nacionais que participarão do Outras Danças. Nessa mesma semana acontecerá a Mostra Solos e Duos. Em breve mais informações.




domingo, 30 de setembro de 2012

Para Ostermeier, teatro fala de gente e do quanto podemos ser contraditórios


Havia se passado uma semana do meu aniversário e estava há uma semana de viajar pela primeira vez para a Europa (e para Berlim), quando recebi uma ligação do Instituto Goethe dizendo que iria patrocinar minha participação no 4o Congresso Cult de Jornalismo Cultural. Alemanha não fazia exatamente parte de meu imaginário quando o assunto eram as artes cênicas, mas naquele fim de maio comecei a me dar conta do quanto as questões artísticas daquele país dialoga com o que venho acompanhando em São Paulo.

Pela primeira vez no Brasil
Já havia conhecido a Argentina e o Chile, mas era a primeira vez que Thomas Ostermeier (na foto ao lado) vinha ao Brasil. A convite do 4o Congresso Cult de Jornalismo Cultural, que aconteceu entre 28 e 31 de maio de 2012, com o apoio de universidades e entidades, dentre elas o Instituto Goethe, Ostermeier dividiu, no último dia do encontro, uma mesa de palestras com Antonio Araújo, co-fundador e diretor do Teatro da Vertigem, de São Paulo, com mediação da jornalista e pesquisadora Beth Néspoli.
Toninho, assim chamado por Beth, beirava a estreia de seu novo trabalho, Bom Retiro 958 metros. “Sou maluco de aceitar o convite de apresentar uma palestra pela manhã em plena estreia de espetáculo. Se disser alguma besteira, vocês me desculpem, estou sem dormir há alguns dias.”. Com o pretexto de debater sobre a relação entre mídia e novos repertórios para o teatro, a plateia pôde conhecer um pouco mais sobre as motivações do trabalho de cada um.

A arte do conflito
Antes de entrar para o curso de direção teatral na faculdade de artes cênicas Hochschule für Schauspielkunst (1992-1996), em Berlim, a impressão que Thomas Ostermeir tinha do teatro era a de que fazia parte de um circuito bastante intelectualizado. Nasceu em Soltau, região norte da Alemanha, em uma família de trabalhadores e pequenos burgueses, em 1968, sete anos depois que o muro que separou a Europa entre “leste”, comunista, e “oeste”, capitalista, foi erguido na capital de seu país (1961-1989). O teatro nunca havia feito parte de sua formação quando criança, nem durante a adolescência, mas filmes e histórias sempre lhe chamaram a atenção. (Na foto ao lado, Hamlet de Willim Shakespeare, dirigido por Thomas Ostermeier e Lars Eidinger. Foto: Arno Declair).

 No teatro o que lhe intriga, especificamente, são os nódulos de conflito. Nas primeiras experiências que teve como diretor ficava absorvido em roteiros escritos por Sarah Kane, Bertold Brecht e peças sobre a juventude marginal europeia (o gosto por realidades desestabilizadoras cresceu durante a faculdade, onde entrou em contato com um entendimento de teatro como artifício de expressão social). Suas primeiras experiências como diretor se deu quando esteve à frente da direção do teatro Baracke (1996-1999).
Ostermeier entende o teatro como a arte do conflito e “um lugar privilegiado para se construir narrativas independentes”, para se propor e experimentar utopias, já que sua sobrevivência independe do efeito popular – na Alemanha, os teatros são mantidos pelo Estado. “Há sanidade em uma sociedade em permitir contrapontos”, disse ele no TUCA, teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sede do Congresso. Mas foi um choque quando estreou como membro da diretoria artística do teatro Berliner Schaubühne am Lehniner Platz, que tradicionalmente se volta para a remontagem de clássicos do teatro europeu. Apresentou sua versão de Personenkreis 3.1, em 2000, peça escrtia pelo dramaturgo sueco Lars Noré. O nome da primeira peça que dirigiu no Schaubühne, Personenkreis, é um termo administrativo do governo sueco que designa pessoas em condições de desamparo social. Prostitutas, viciados em drogas, moradores de rua, alcoólatras, imigrantes, todos estavam no palco. “O que funcionou no Baracke foi um fracasso no Schaubühne”. Aprendeu na pele o que um colega depois lhe aconselhou: “para assumir um teatro você precisa esvaziá-lo primeiro para depois encher novamente com um novo público.”.
E como a precariedade e o conflito transbordam na dramaturgia dos personagens? “Proponho tensões de status”, respondeu durante palestra no Instituto Goethe, no dia 1o de junho, uma sexta-feira. Propõe exercícios que colocam os atores em situações inesperadas, como quando um empregado é chamado pelo patrão até sua sala com a certeza de que será promovido. Quando se senta frente ao patrão, recebe a notícia de que será demitido. “O que uma pessoa faz quando é pega de surpresa? Quantos jogariam um copo de água no rosto do patrão? Essa seria uma ração clichê. Quantos sorririam?” O que Ostermeier quer fisgar é um estado de vulnerabilidade, esse a que nos expomos pelo simples fato de estarmos vivos.
Mesmo em adaptações de clássicos tenta apresentar ao expectador as fragilidades da contraditoriedade humana. “Meu Hamlet é gordo, mimado, violento, perigoso”, disse sobre a peça que estreou em 2008 mantendo-se contrário a encenações que alimentam auras melancólicas e pouco realistas dos clássicos. Segundo ele, vivemos em uma harmonia aparente e a luta pela sobrevivência pode pôr tudo por água abaixo.
E é na persistência nos conflitos em que Ostermeier desvela a contemporaneidade de seu trabalho, porque dialoga com a cidade onde reside desde a década de 1980, Berlim. É a disponibilidade de se posicionar frente a algum conflito que exala da sobriedade da arquitetura, limpeza, organização exímia do bem-estar social, da polidez, das pichações de caráter político espalhadas pela cidade, e até da justa correspondência entre o que os jovens pelas ruas mostram ser (pelas vestimentas, corte de cabelo) e seus reais posicionamentos políticos – o que quero dizer é que os jovens que vi pelas ruas de Berlim pareciam brincar muito menos de se fantasiar com um penteado moicano, por exemplo, do que serem, efetivamente, punks sujos, usuários de drogas, contra, de fato, o modo consumista de organizar e de viver a vida. Exala também da coragem de estar constituída por e preservar monumentos que escancaram consequências de decisões políticas imperdoáveis durante as guerras de um passado recente.

O que o teatro quer é comunicar
Da conversa entre Toninho e Ostermeier brotou, além de um breve contato com as questões artísticas de cada diretor, uma dica para os jornalistas culturais: que consigam observar as tensões, os conflitos a partir dos quais emergem as peças de teatro sobre as quais irão escrever. Que deixem de encará-las apenas como produtos ou como artifício para conseguir vender mais exemplares e que se atentem para atores e diretores como pessoas que criam menos por vaidade e mais pela necessidade de se comunicar.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Escolas matam a criatividade

"Não existe um sistema educacional no planeta que ensina dança diariamente às crianças da mesma forma que ensina matemática. Por quê? Por que não? Eu acho bastante importante. Eu acho que matemática é importante, mas dança também. As crianças dançam o tempo todo se deixarem. Nós todos dançamos. Nós todos temos corpos, não tempos? (…) Sério, o que acontece é que à medida que as crianças crescem, nós começamos a educá-las progressivamente da cintura para cima. E depois nos focamos na cabeça. E levemente para um lado." (Ken Robinson)

Já faz um tempo que assisti a esse vídeo e achei interessante compartilhar com vocês nesse momento em que se está pensando uma proposta de gestão pública e sobre que argumentos justificam ou convencem a importância da arte que a gente exercepensa e defende. É uma palestra do Ken Robinson, pesquisador na área de educação e criatividade (deu aulas em faculdades de artes dramáticas na Inglaterra e EUA), no TED (aquele circuito de palestras que vem rodando o mundo com o patrocínio da Rolex). Ele questiona o processo educacional formal, dizendo que precisamos repensar a maneira de fomentar a inteligência entendendo que ela é variada, dinâmica e distinta.

Me fez lembrar de uma conversa que tive com uma amiga e com a minha irmã, Ana, sobre qual seria a "função" da arte/dança: acho que se tiver função, será a de apresentar/propor "possibilidades" perceptivas, que alimentam um estar vivo no mundo, apto a interações criativas com o ambiente que, por sua vez, favorecem relações hierárquicas mais dinâmicas com o conhecimento - do tipo, não existir um parâmetro de mais ou menos burro ou inteligente, porque sabe ou não fazer cálculos matemáticos ou articular melhor ideias em tempo mais rápido.

Outra parte da palestra que anotei: "Nosso sistema educacional atual se baseia na ideia de habilidade acadêmica. E existe uma razão para isso. O sistema foi concebido, e no mundo todo, não existiam sistemas públicos de educação antes do séc. XIX. Todos eles foram criados para atender a demanda da industrialização. Então a hierarquia está apoiada em duas idéias. A primeira é que as disciplinas mais úteis para o trabalho estão no topo. Então você era bondosamente afastado na escola quando era criança de certas coisas, coisas que gostava, com a premissa que você nunca iria conseguir um emprego fazendo aquilo, correto? Não faça música, você não vai ser músico. Não faça arte, você não vai ser artista. Conselho benigno. Hoje, profundamente errado. Hoje o mundo inteiro está envolto em uma revolução."




Obs.:  dá pra inserir legendas em português no vídeo, é só ir na parte em que está escrito "55 languages" na mesma barra de apertar play .

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Resenha Pantalhaços por Chris Araújo

Recebemos da colabora Christiane Araújo suas impressões sobre a Pantalhaços 2012. Vejam a interessante abordagem que ela fez de dois espetáculos que fizeram parte da programação e sua ligação com a ciência.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Conectivo Corpomancia: INOCÊNCIA, por conectivo corpomancia (teaser)

Conectivo Corpomancia: INOCÊNCIA, por conectivo corpomancia (teaser): Esta semana começamos as apresentaçoes do INOCÊNCIA. Primeiro, 8 sessoes em escolas estaduais em Campo Grande. Depois, dia 9 (quinta-feira),...

terça-feira, 10 de julho de 2012

flor de lótus




Não resisti. Precisava compartilhar isso com vocês.
Esse clipe apresenta uma relação tão orgânica entre coreografia e interpretação, tudo tão junto que, nos primeiros momentos, não dá pra saber se houve alguma pré-concepção específica de dança, uma coreografia, um conceito, ou se o cara (Tom Yorke) está experimentando uma genialidade espontânea no mover-se que ele mesmo elaborou ali diante das câmeras.
Depois de assistir mais algumas vezes e, em todas elas, continuar embasbacada diante da tela do computador - fui tomada de surpresa pela postagem no meu mural do facebook - fui buscar saber sobre a produção do videoclipe e foi aí que o nome do coreógrafo apareceu: Wayne McGregor.
McGregor é britânico, trabalha e já trabalhou com companhias oficiais bastante conhecidas como Royal Ballet, New York City Ballet, Stuttgart Ballet, Australian Ballet, Ópera de Paris, e outras, e criou e dirige a Wayne McGregor/Random Dance Company, com sede em Londres. Ele também integrou a equipe do filme "Harry Potter o cálice de fogo", aquele em que acontece o torneio de Tribuxo de quadribol e concebeu vídeos de dança para a BBC de Londres.

Enfim. Foi mesmo uma vontade de compartilhar as impressões e o vídeo. Tem uma simplicidade que ando buscando. Quem sabe seja inspirador pra vocês tanto quanto foi pra mim.

Quem quiser saber mais sobre o coreógrafo, além de vídeos no youtube, tem um verbete sobre ele na wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Wayne_McGregor.

P.S. Vocês viram que as inscrições rumos dança prorrogaram até o dia 20 de julho? :)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

cena 11 - dança e tecnologia

Com o Cena 11 foi assim na passagem por Campo Grande: Aparatos tecnológicos no palco, atuando em comunhão com a dança.
Usamos a tecnologia como extensão do corpo. Isto inclui a maneira como pensamos nossa dança. Em PFdFSRi a utilização de sensores (câmeras, acelerômetro), robôs, programas de detecção de padrão, vídeo e sistemas de vjing; está vinculada as propriedades que estes elementos fornecem ao corpo e como este corpo responde a estes elementos por meio destas propriedades. Sistemas e programas foram desenvolvidos especialmente para atuarem no espetáculo, e contam com a participação também do espectador para concluírem seus objetivos no palco. http://www.gilsoncamargo.com.br/blog/?p=100

terça-feira, 5 de junho de 2012

Se já sabemos, porque ainda continuamos fazendo? por Christiane Araújo

Há um ano e meio residindo em Campo Grande, contribuo à comunidade artística local e demais regiões do país que se apresentam em processo de aprimoramento do fomento da arte e da dança. Pretendo, com este texto, que façamos realmente uma discussão e reflexão da dança na cidade e no estado. Pensando, questionando e principalmente observando nossas funções perante alunos e toda nova geração de artistas da dança, recentemente fui questionada sobre Ética; inicio meu texto, então, relembrando o que é ética: O termo ética deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Ética é um conjunto de valores e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Neste sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça social. Podemos dizer então que Ética é a arte da convivência, é uma atitude no “viver-com”. Quando a gente começa a se questionar sobre a vida, começa um processo de entender o que somos. Trata-se de como a pessoa organiza sua existência e como forma uma consciência que se constrói refletindo. À medida que amplia a consciência de si mesmo, torna-se livre, portanto responsável. E, diante disso, lanço o olhar para os festivais competitivos de dança. Existe uma arte da convivência? Trata-se de algo ainda muito presente e talvez como única forma de demonstração/apreciação de dança quando se sai do grande eixo cultural do país. Ao frequentar, observo o posicionamento visto nos profissionais lá presentes, pessoas que desenvolvem e pronunciam saberes. Os jovens e crianças em cena e nos bastidores. Observo o público, o pronunciamento dos responsáveis e o próprio conceito do evento que foi elaborado: COMPETIR. Toda ação, gera outra ação. Quando se propõe que estudantes disputem entre si, nada mais óbvio do que se esperar a rivalidade, a torcida organizada, o desrespeito ao processo artístico do outro, sem falar no desestímulo que traz ao jovem em saber que perdeu. Quando se estimula isso nas pessoas, esse é o resultado que se obtém. E aí pergunto: Será que essa é a melhor forma de estimularmos a dança nas pessoas e na cidade? Esta questão não é um privilégio apenas em Campo Grande, mas é uma questão nacional. Diversos festivais são realizados em todo o país. O Festival de Joinville, por exemplo, sob a coordenação de profissionais de relevância artística, encontrou uma alternativa, propondo em 201, pela 5ª vez, o “Seminário de Dança”, onde conseguem aproveitar a imensa concentração de estudantes de dança, coreógrafos, diretores e propor palestras, mesas redondas, abrindo espaço assim para a reflexão e discussão dos vários caminhos da dança. Mas é o suficiente? Não, reina ainda a grandiosidade mercadológica que é um festival desse porte, perante o processo de ensino aprendizagem da arte, da abordagem que permeia o conceito do fazer, contextualizar e transformar. O que se promove de transformação humana e social nesses jovens com os festivais de dança? E com isso voltamos a questionar: será que a competição que é inerente à condição humana, deve ser trabalhada desta forma, como base do processo de formação de educação para a arte? Se olharmos para os outros segmentos artísticos, veremos que na dança esse formato é exercido com muito mais frequência e abrangência. Nas artes plásticas, por exemplo, pouco se fomenta eventos com o objetivo de avaliar que o desenho de um aluno é melhor que o do outro, no entanto se propõe exposição de artes plásticas aos alunos. Na música, são propostos encontros, mostras, apreciações, shows... e, no teatro, muito menos, o processo dos alunos é respeitado como deve ser: mostra de teatro amador. Não que não exista, mas dificilmente veremos tantas competições nas outras áreas. E por que então nós, da dança, ainda estamos neste lugar? Submetendo nossos alunos a mostrarem à sociedade que o professor X orienta/coreógrafa/dirige melhor que o professor Y? E o pior: Premia-se por isso! Eliana Caminada, em seu pronunciamento de formatura para seus graduandos em dança, diz: “Lembrem-se: a arte tem um compromisso com a sensibilidade e com a beleza; a verdade matemática é o axioma da ciência, não da arte. Procurem com todas as forças impedir que a dança se transforme em uma mera exibição vazia de marcas atléticas ou numa "pseudo-arte" que nada mais é do que palavras bonitas amparadas pelos meios de comunicação, mas desprovidas do essencial: a vivência corporal da dança". Quando falo que a competição é algo inerente ao ser humano, logo penso na educação física. Por muitos anos esta ciência só se baseou no processo competitivo como recurso de formação dos seus alunos. E hoje a própria educação física já questiona a competição dentro deste processo. Recentemente, assisti uma qualificação de mestrado em educação, em que o pesquisador falava-nos sobre os novos caminhos para a educação física, pesquisou a “Cultura lúdica” e a “cultura do movimento” no ensino fundamental. Paremos então... Se a própria ciência que estimulava até então a competição, já questiona esse lugar enquanto processo de formação do indivíduo, por que nós da dança (que somos da arte e não do esporte) ainda fomentamos e apoiamos essas iniciativas? Será que a competição em arte não deveria somente estar no local de atuação profissional? Se sabemos até que mesmo neste lugar ela já esta sendo questionada! Por que então? Locais estes designados para o mundo adulto: que competem sim competem seus projetos em editais públicos e privados, nos quais disputam vagas de empregos em instituições de relevância? Onde competem mercado? Ou seja, onde já possuem maturidade para entender o mundo competitivo que vivem? Por que colocar nossos alunos (aprendizes em arte) para disputar entre si, se esta questão só traz a rivalidade entre eles e o desestímulo perante a dança? Caros amigos, profissionais como eu, estamos numa era de Cooperação, de contextualização, de movimentos aglutinadores, de rede com relações construtivas, de ações colaborativas em prol de um bem comum. Enquanto a dança ficar disputando alunos de uma escola para outra, disputando melhor coreografia, melhor bailarino, melhor diretor, melhor figurino, melhor, melhor... A classe só tem a perder! Em resumo, convido-os a parar e pensar que caminhos apresentaremos aos nossos alunos para fomentarmos cidadãos melhores? Em que local está o nosso fazer artístico para que venha realmente somar à sociedade e o fomento da dança na cidade e no país? Enfim, que parta de nós a arte da convivência, um caminho para a reflexão! Espero, verdadeiramente, que saibamos nos colocar com ética e profundidade aos órgãos públicos competentes, para juntos traçarmos novos e saudáveis caminhos da dança no Mato Grosso do Sul, na ponte com grandes eixos culturais e com todo Brasil. E, para finalizar, compartilho um texto de Isabel Marques, onde nos traz pensamentos e reflexões de sobra sobre nossos produtos/processos. http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=10153
Christiane Araújo, atualmente é artista docente das Graduações de Artes Cênicas e Dança – UEMS e UFGD /MS e diretora da Eixo Produções Culturais.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

ir até onde o povo está

É assim que o Conectivo Corpomancia vêm respondendo aos "diretamente atingidos" pelas intervenções urbanas do Projeto "Sem cerimônia" (Por que dançar na rua??? Por que queremos ir onde o povo está). Contemplado pelo prêmio Artes na Rua 2011, da Funarte, a ideia foi abrir esta discussão em torno do movimento da cidade, criando ruídos capazes de serem percebidos por quem está no ponto de ônibus, parado no trânsito ou andando pela calçada. A proposta de dança é bem singela, mas nada simples é passar desapercebido com os equipamentos de fotografia para registrar as performances sem tantos ruídos a mais. Esse tem sido o trabalho de Helton Pérez e a foto em questão foi feita caminhando e com cara de que nem estava vendo, muito menos fotografando.
Mais informações do projeto em www.corpomancia.com br.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Guia, Rumos


Próxima terça-feira (29 de maio), Cena 11 e Rumos Itaú Cultural estarão em Campo Grande.

Com o Grupo Cena 11 talvez tenha experimentado a sensação mais radical de liberdade, tamanha que chegava a se confundir com o extermínio da própria existência, porque lançava mão de abandonos violentos. O impacto da queda sem intermediário nenhum entre o chão e a face nua (frente e/ou trás) do corpo inteiro, essa unidade, apresentava a violência sutil de só se deixar levar, se expor à soberania da gravidade, sem qualquer resistência.
Por isso uma tensão entre morte e vida, violência e sutileza nos trabalhos do grupo catarinense Cena 11 experimentada, antes, na própria vida do diretor, Alejandro Ahmed. Acometido, desde a infância, de uma doença chamada “osteogênese”, que gera enfraquecimento nos ossos a ponto de romperem com leves esbarrões, seus movimentos adaptativos, para sobreviver, levaram-no à interessante saída paradoxal: choques violentos não causavam fraturas.
“O que era uma necessidade particular de sobrevivência se transformou na elaboração de uma técnica.”, escreveu Maíra Spanghero, em seu blog Corpo Remoto Controlado[r]. Ex-integrante do Grupo, é autora do livro “A dança dos encéfalos acesos” (2003), que delineia um olhar particular sobre o modo de fazer dança contemporânea do Cena 11 – o livro foi fruto de pesquisa de mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC de São Paulo.
No artigo “Vontade de ultrapassar”, Maíra continua: 

“O que o Cena 11 faz é um exercício de controle de situações que habitualmente são incontroláveis ou que ninguém se dedica a controlar. Por exemplo? Uma queda, um esbarrão, um atrito, um desgaste. Não há como evitar a queda e o impacto. Nosso corpo, em geral, não tem treino: cai e se machuca. Então, como fazer para ficar mais resistente ao choque e não quebrar? Aparentemente, parece um corpo-marionete, mas o movimento criado pelo Cena 11 está ampliando os comandos do corpo humano, desenvolvendo habilidades, tornando-o mais capaz e menos susceptível ao machucado. (...) Aquilo que pode parecer muito pouco humanizador, os rôbos, as quedas, a violência é na verdade uma estratégia absolutamente orgânica para o corpo continuar humano e melhor adaptado.”
Dia 29 de maio de 2012, terça-feira, os e as campo-grandenses terão a oportunidade de sentir de perto o Grupo Cena 11. O espetáculo Guia de ideias correlatas será apresentado no Teatro Prosa, do Sesc Horto, às 20h (entrada gratuita).
Logo em seguida, a equipe Rumos Itaú Cultural irá apresentar o edital Rumos 2012, direcionado à Dança, Cinema e Vídeo, Moda e Design.
Será uma boa oportunidade para tirar dúvidas quanto aos procedimentos para inscrição de projetos e, bem importante, sobre o entendimento deles sobre pesquisa em dança.
O edital Rumos Dança irá financiar propostas nas seguintes “carteiras”:

1.     Dança para crianças
2.     Dança para formadores
3.     Residência
4.     Desenvolvimento de pesquisa para criação

Levem caderninho, caneta e muitas perguntas para o Teatro Prosa. Da conversa podem surgir vários probleminhas, desses gostosos de se resolver dançando.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

7ª Aldeia SESC Terena de Artes e Cultura

Começa dia 09 de maio a 7ª Aldeia SESC Terena de Artes e Cultura com programação intensa que envolve cinema, teatro, dança, música, palestras, oficinas, entre outras atividades. Na dança, além do espetáculo "Escapada" da Cia Mário Nascimento (MG), teremos também as intervenções urbanas do "Sem Cerimônia", projeto contemplado pelo Edital Funarte Artes na Rua 2011. O "Sem Cerimônia" é uma proposta do Conectivo Corpomancia que tem como objetivo performar o corpo sem cerimônia com os adereços urbanos da cidade, seus meios-fios, suas construções em construção, suas faixas de pedestres, seus pontos de ônibus, suas lixeiras, suas filas, seus parques, suas instalações comerciais e seus pedestres. No elenco estão Yan Chaparro, Paula Bueno, Marcos Mattos, Franciella Cavalheri e eu, Renata Leoni. Estão também os corpomantes Jonas Feliz (trilha), Mary Saldanha (figurinos), Maíra Espíndola (material gráfico), Helton Pérez/Vacaazul (registro audiovisual e fotografia) e Arado Cultural (produção). Maiores informações em http://www.corpomancia.com.br/

domingo, 6 de maio de 2012

Escapada, Cia Mario Nascimento em Campo Grande

Dia 16 de maio, chega a Campo Grande a Cia Mário Nascimento (BH) pelo Projeto Palco Giratório/SESC 2012. O espetáculo é uma revisita à obra original dançada por ele em parceria com o músico Fábio Cardia. Nesta versão, 14 anos depois, Mário Nascimento e os cinco bailarinos da Cia, voltam a cena e aprofundam a pesquisa em torno das questões do homem contemporâneo, sufocado pelas grandes cidades. O espetáculo será às 20h no Teatro Glauce Rocha, segundo informações em http://www.sescms.com.br/sescdestaque/. Mário Nascimento teve uma relação com Campo Grande por meio dos trabalhos que fez para a Ginga Companhia de Dança, como coreógrafo. Nos primeiros anos da Ginga, Mário compôs trabalhos em jazz, dança contemporânea e dança moderna, resultando em diversos prêmios em festivais nacionais. Pode-se dizer que os caminhos de ambos se cruzaram e os aprendizados foram mútuos. Vale a pena conferir! Escapada com a Cia Mário Nascimento Local: Teatro Glauce Rocha Horário: 20h Duração: 60 minutos. Classificação: 14 anos. Ingressos: R$5,00 (meia) e R$10,00

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Bienal Internacional de Dança de Curitiba

Esta semana acontece a Bienal Internacional de Dança de Curitiba com atrações de vários lugares do país e de outros países com o lema "a dança em todos os estilos”. A Bienal abrangerá diferentes modalidades: dança clássica, contemporânea, danças urbanas, dança de salão, jazz dance e videodança. A programação completa pode ser acessada no site oficial do evento http://www.bienaldanca.org.br/. Vou tentar assistir alguns espetáculos... Tem um especialmente que me atraiu a atenção: "Por um Fio" da Mimulus Cia de Dança de Belo Horizonte, que tem seus trabalhos construídos a partir dos conhecimentos da dança de salão, em seu aspecto cênico. Quem puder, acho que valerá a pena assistir. O espetáculo será dia 29, às 19h30 no Guairinha - Auditório Salvador de Ferrante. Depois conto como foi.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Encuentro

1er ENCUENTRO LATINOAMERICANO de

INVESTIGADORES SOBRE CUERPOS Y CORPORALIDADES EN LAS CULTURAS

1 al 3 de agosto de 2012

Fac. de Humanidades y Artes, Universidad Nacional de Rosario,

Rosario, Argentina.

Extensión del Plazo para envío de RESÚMENES

FECHA LIMITE DE ENVIO DE RESUMENES y/o VIDEOS: 4 DE MAYO DE 2012

FECHA DE COMUNICACIÓN DE RESUMENES ACEPTADOS: entre el 11 y el 18 DE MAYO DE 2012

FECHA LIMITE DE ENVIO DE TRABAJOS FINALES: 30 DE JUNIO DE 2012

Nuevos GRUPOS DE TRABAJO(Nro. 13, 14 y 15) y Pautas para TRABAJOS FINALES

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Show comemorativo 1% pra Cultura

No próximo 11 de abril, a partir das 18h na Praça do Rádio Clube será realizado o show comemorativo do movimento 1% pra Cultura com a participação de vários artistas sul-mato-grossenses. O motivo da comemoração se refere aos avanços obtidos junto ao executivo municipal com a destinação de R$ 1.500.000,00 para os fundos municipais, FMIC E FOMTEATRO. A dança estará lá, representada pelas atrações: Quadrado da Dança, do Fórum MoviMente e pelos grupos Expressão de Rua e Bailah - Grupo de Dança de Salão da UFMS.

Vamos lá marcar presença e unir forças em torno de uma reivindicação que já está no Plano Municipal de Cultura. A luta continua!


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Os Corcundas


"Os Corcundas é um espetáculo de dois feios que não falam a nossa língua"... Foi isso que ouvi dizer entre um elogio e outro deste trabalho que fui ver anteontem, 2 anos depois de sua estreia. Logo de cara vejo que é isso mesmo + duas investidas ousadas: um trabalho sobre um tipo de corpo - "o feio" e sobre o amor. Penso então... Como não cair em um clichê tratando de elementos "tão comuns"? Acredito que as investidas sobre o corpo na dedicação de experimentá-lo quanto o maior e melhor recurso para A CENA foi a peça chave para o sucesso deste trabalho que ainda tem como escolha O SIMPLES - outra "coisa" difícil de alcançar... E possível!

Dedico este espaço ao Circo do Mato e os atores Aline Duenha e Mauro Guimarães, assim como o diretor Breno Moroni pelo trabalho que me tocou.


Foto: Larissa Pulchério.

terça-feira, 27 de março de 2012

Boca de Cena - semana do teatro de Campo Grande


Começa hoje, terça-feira, o Boca de Cena - semana do teatro de Campo Grande. É uma ação articulada pelo Colegiado Setorial de Teatro, o que indica que estão caminhando positivamente nas suas articulações entre a classe e o poder público. Outro indicativo é que hoje, na abertura, será lançado o edital para o "Prêmio Estadual de Montagem de Espetáculos de Teatro 2012". A setorial de teatro está criando seus caminhos e isso é coisa boa ;) 

segunda-feira, 26 de março de 2012

"Propina’s Day" - Eu recomendo!!!

Olá pessoal, hoje pela manhã assisti o espetáculo "Propina’s Day" da galera do Mercado Cênico, um espetáculo que tem uma pegada de humor,super inteligente e critico, seria bacana se todos pudessem assistir...

Em “Propina’s Day – um teatro de incoerência política” que o Mercado Cênico apresenta nesta terça (27) e sábado (31), o óbvio pode parecer o mais fácil e a incoerência pode ser o mais coerente para a visão humana e crítica do espectador.

Usando os velhos jingles e a cara de pau dos políticos o espetáculo aborda varias questões políticas e sociais de forma humorada e ácida, satirizando a situação política local e nacional. O espetáculo foi construído através de vivências e abordagens da política brasileira, com a proposta de interferência e cenas fragmentadas, onde não existe mocinho e nem bandido, todos são políticos, cada um subverte a própria imagem, onde o super herói se torna um simples mortal e o rato um estigma personalizado e interferindo na sequencia lógica do espetáculo.

Satirizando a política os atores Patrycia Andrade, Vitor Samudio, Bruno Moser, Yuri Fechner e Diogo Adriani levam para a rua um espetáculo que assim como grande parte dos politiqueiros não se preocupa em atender os anseios do povo-espectador. O espetáculo conta ainda com Chico Simão que junto com os atores farão um grande carnaval ao vivo que pode acabar em pizza ao som da Artista Pop Lady Gaga em forma de rato de esgoto.

O espetáculo conta com o investimento da Prefeitura de Campo Grande e FUNDAC pelo edital do Fomteatro.


Serviço:


Terça (27) as 10h no Calçadão da Barão, e Sábado (31) as 17h no Parque do Sóter. O espetáculo é de rua e gratuito.


Prestigiem...

sexta-feira, 23 de março de 2012

O Escurial



O Escurial” continua com apresentações no Armazém Cultural hoje e sábado sempre às 20h com ingressos a R$ 10,00 e R$ 5,00. São apenas 200 lugares por noite. Não deixem pra última hora. Ingressos a venda no local com 1h de antecedência.


Em cena: Bruno Moser e Camilah Brito . Direção e iluminação de Espedito Di Montebranco.
Realização AACP- Associação Artística Cultural Palco de Artes Cênicas, Esporte, Lazer e Promoção Social
Grupo Teatral Palco, Sociedade Dramática
Investimento: Fomteatro/Fundac/ Prefeitura Municipal de Campo Grande.

Videodança por Ralfer Campagna

video

Olá, esse videodança foi um dos últimos que assisti e que me chamou muito a atenção, gostei bastante e senti que fazia parte do momento que estou passando durante a criação de um espetáculo de dança. O vídeo surgiu a partir de Megan Lawson que ganhou de seu amigo uma música e para surpreendê-lo resolveu fazer esse vídeodança, misturando todas as particularidades que envolvem o seu mundo.

O que me identifiquei realmente é o hibridismo da dança contemporânea com as danças urbanas, apropriando-se do título “Obsessed” e deixando a movimentação com um repertório amplo e com infinitas possibilidades.

Considero a abordagem realizada como o Hip Hop na contemporaneidade, a utilização da biblioteca como espaço de performance, a ideia de uma mulher obcecada por leitura e/ou livros, me remete a um questionamento contemporâneo e principalmente a uma individualidade da intérprete, mas com uma movimentação mais característica das danças urbanas.

O espetáculo no qual estou no processo de criação também vem com essa abordagem, dialogando as danças urbanas com a contemporaneidade e assistir videodanças com esse foco vai me norteando e me ajudando na construção do mesmo.

Espero que gostem do videodança, ele é bem envolvente e bacana.

texto de Ralfer Campagna - interprete criador e performer da Cia. Dançurbana e Grupo Expressão de Rua.


quinta-feira, 22 de março de 2012

Estrutura Heurística, por Dra. Christine Jamieson.


Uma estrutura heurística é aquilo que orienta o sujeito cognoscente em direção ao conhecido desconhecido. Diversamente de um mapa que nos guia até um destino conhecido, uma estrutura heurística conduz a pessoa ao que é desconhecido. Nos termos de Lonergan, conduz o sujeito ao conhecido descohecido. Nós sabemos que ele é desconhecido. Nós sabemos que desejamos entender. Nós não possuímos um caminho direto que nos conduz ao entendimento. Nós temos a estrutura heurística. A estrutura heurística é o que nos torna capazes de criar uma estratégia que nos fornece insights no sentido do que é desconhecido.

Estrutura heurística é a nomeação do desconhecido cujo conhecimento nós antecipamos quando finalmente entendemos. Outra forma de afirmar istoé que uma heurística é uma questão orientadora que nos guia até insights. O que era implícito torna-se explícito, o que era desconhecido torna-se conhecido. Esta transformação no interior do sujeito, no interior do cognoscente, é possibilitada por meio da estrutura heurística.

A ligação entre a interrogação e o entendimento é a estrutura heurística. A estrutura heurística conecta-se de maneira intricada à antecipação do entendimento que a pessoa experimenta espontaneamente quando realiza uma busca. Assim, o movimento que acontece inteligentemente do questionamento ao insight é o que Lonergan denomina Heuristico. O movimento, ou a evolução, segue um caminho que não é designado. É um caminho que nos sinais mas não rotas precisas.

A estrutura heurística não é portadora de conteúdos. Os critérios de estruturas heurísticas satisfazem-se apenas e tão somente quando a forma que eles antecipam são preenchidas. O conhecimento completa essa forma demandada. A estrutura heurística é separada do conteúdo existente desse entendimento. Não possuindo substância, a estrutura heurística é uma orientação em direção ao desconhecido. Ela permite dar um nome ao desconhecido.

http://lonergan.concordia.ca/glossary/glossary_e-l.htm